Certificados de navegabilidade estão caducados

Rebocador São Miguel está inoperacional no porto de Ponta Delgada e pode ser substituído por um rebocador salvádego

 A Iniciativa Liberal (IL) entregou um requerimento na Assembleia Legislativa Regional dos Açores a requerer informação sobre o que “está a ser feito para evitar se repitam as falhas que já exibiram e minimizar eventuais falhas futuras com rebocadores no Porto de Ponta Delgada, tendo em conta a situação de inoperacionalidade administrativa do rebocador São Miguel e a utilização do rebocador Pêro de Teive como alternativa ao transporte de combustíveis para outras Ilhas”.
O deputado do IL, Nuno Barata, questiona o Governo sobre o real ponto de situação do rebocador São Miguel e qual o seu destino?
O Correio dos Açores conseguiu apurar que, na realidade, o São Miguel tem os certificados de navegabilidade caducados e, com os seus 47 anos de vida, é considerado um rebocador “ultrapassado” e “tem de ser pensada a sua substituição”, por venda ou abate.
Desde logo, o São Miguel é um rebocador costeiro que foi construído em Lobito, no ano de 1974 e os seus motores são de 1973.
Neste momento, a empresa Portos dos Açores está a ponderar se irá fazer um investimento para a aquisição ou construção de um rebocador costeiro ou se irá optar pela aquisição de um rebocador salvádego com a dupla missão de ser rebocador portuário e socorrer navios em dificuldades em alto-mar.

A opção por um
rebocador salvádego?

A verdade é que, sobretudo nos meses de Inverno, o porto de Ponta Delgada tem servido como plataforma de estacionamento de rebocadores salvádegos internacionais sempre prontos para socorrer qualquer navio que se encontre em dificuldade e/ou à deriva em alto-mar e de o rebocar para o porto mais próximo ou para o que o armador entender o mais adequado.
Ao longo dos últimos anos registaram-se alguns casos em que a então Junta Autónoma do Porto de Ponta Delgada e, posteriormente, a Portos dos Açores concorria com empresas internacionais proprietárias de rebocadores salvádegos para socorrer navios em alto-mar, em zonas próximas dos Açores, e por mais de uma vez, o rebocador São Miguel, embora sendo costeiro, foi prestar auxílio ao navio à deriva, rebocando-o para Ponta Delgada.
Segundo os especialistas, o porto de Ponta Delgada, primeiro pela necessidade de ter um rebocador para operar nacionais de grande porte e, depois, pela sua localização, tem todas as condições para que a opção do Governo dos Açores seja pela construção ou aquisição de um rebocador salvádego. Este será, certamente, um investimento muito mais volumoso do que o de um rebocador costeiro. Mas, depois, o investimento será rentabilizado com eventuais salvamentos de navios que venham a estar em dificuldade ao largo dos Açores.
É favorável também à opção pela aquisição de um rebocador salvádego o facto de, com as alterações climáticas, virem a ocorrer – de uma forma crescente – fenómenos climáticos extremos cada vez mais próximos da Região, dizem os mesmos especialistas.

Colaboração entre portos

No requerimento ao Governo entregue na mesa da Presidência da Assembleia Legislativa Regional, o deputado Nuno Barata quer saber quais os custos financeiros da deslocação dos rebocadores O Bravo da Terceira, e o São Luís, do  Faial para a ilha de São Miguel sempre que necessário, e a quem são imputados esses custos?. Isto por o rebocador São Miguel estar inoperacional e o Pêro de Teive está a prestar um serviço urgente.
Pergunta também “quais os custos de eficiência dessas deslocações quer em termos económicos quer em termos ambientais?”
Antes de mais, a necessidade de substituição do rebocador São Miguel não é de agora e o processo de substituição pela empresa Porto dos Açores já deveria estar mais adiantado. Só assim não se suscitariam as dificuldades que estão a surgir agora no porto de Ponta Delgada, explicaram as fontes de informação do Correio dos Açores.
Face às circunstâncias em que a nova administração portuária regional vem encontrar este processo, a solução “passa pela melhor colaboração entre as várias entidades portuárias para colmatar a falha existente em Ponta Delgada. Por isso é que o rebocador O Bravo, da Terceira e o rebocador São Luís, do Faial, estão a prestar auxílio às operações portuárias no porto micaelense.
A nossa fonte de informação não excluiu, contudo, a possibilidade de a empresa Portos dos Açores recorrer, sempre que se justificar, ao fretamento temporário de um rebocador externo para as operações portuárias no porto de Ponta Delgada.

E as verbas necessárias
para o novo rebocador?

O deputado Nuno Barata Almeida e Sousa quer ser informado, igualmente, sobre “o que tem o Governo planeado, programado e que verbas tem a inscrever no quadro do plano de médio prazo e do orçamento para 2021, para garantir e melhorar a operacionalidade do Porto de Ponta Delgada no que diz respeito aos navios auxiliares de reboque, quer portuários quer de alto-mar ou vulgarmente designados por rebocadores salvadégos”?
O rebocador São Miguel, por exemplo, já fez “diversas operações de resgate e salvamento nos Açores de onde se destaca a recuperação da embarcação de recreio ACCIONA 100% Ecopowered”, recorda.
Além disso, o rebocador São Miguel fez também o transporte de combustível para São Jorge a partir da Terceira e Faial por avaria prolongada do navio tanque CHEM DAISY, actualmente designado São Jorge.
Já aquando da recente destruição do Porto das Lajes das Flores o rebocador Pêro de Teive já fez quatro operações de abastecimento à ilha do Corvo, a 7 de Novembro de 2019; 7 e 8 de Dezembro 2019 (com abastecimento nas Flores); 17 de Janeiro de 2020 e a última e mais recente a 9 de Janeiro de 2021.
No requerimento, o deputado liberal releva a importância do porto de Ponta Delgada e  faz uma retrospectiva histórica da “centralidade da infra-estrutura  no contexto do combate à periferia da Ilha de São Miguel face ao arquipélago da época em que foi construída” e realça “a importância da mesma no actual sistema de transportes e abastecimento das nossas ilha”.
Salienta ainda a  “relevância” do Porto de Ponta Delgada e da sua operacionalidade, no que concerne às exportações de produtos açorianos.

 

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Autor: João Paz

Categorias: Regional

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