Empresários Brenda Skrzypietz e Francisco Pinto da B’Doces

“As pessoas encontraram nos nossos brigadeiros um momento de aconchego em tempo de pandemia e confinamento”

Em Outubro de 2019 Brenda Skrzypietz e o namorado, Francisco Pinto, decidiram arriscar e criar a B’ Doces, empresa na qual são verdadeiros “especialistas em brigadeiros”, e que em breve irá ter o seu próprio espaço no Centro Comercial Sol Mar, em Ponta Delgada, e que será a primeira loja do género na ilha de São Miguel.
A jovem brasileira, com apenas 19 anos de idade, conta que desde sempre que se lembra deste pequeno doce feito à base de leite condensado, tendo inclusive aprendido a fazê-lo desde muito nova, mas que o início da B’ Doces não passou de uma feliz coincidência que fez com que, em conjunto com Francisco Pinto, com 22 anos de idade, se apercebesse de uma lacuna no mercado regional: os brigadeiros gourmet.
“A ideia dos brigadeiros surgiu por acaso. Como na cultura brasileira é uma coisa muito normal e que nós aprendemos desde pequenos a fazer, um dia eu fiz para a minha mãe provar, mas foi apenas como um presente para ela.
Ela estava a chegar de viagem e eu dei uma caixinha com brigadeiros para ela, mas ela gostou tanto que colocou nas redes sociais. Como ela colocou nas redes sociais, muitas pessoas começaram a perguntar onde é que ela os tinha comprado, e foi aí que a gente se deu conta de que não havia um lugar específico para comprar apenas brigadeiros aqui”, relembra Brenda Skrzypietz, que há cerca de oito anos se mudou do Paraná directamente para Ponta Delgada.
Detectada esta lacuna, o jovem casal começou então por se especializar na área, e a criar “sabores nunca vistos” nos Açores, sobretudo através da internet para chegar até algumas confeiteiras brasileiras, que lhes permitiram “aguçar” os conhecimentos e trazer um produto novo até aos açorianos.
No caso de Francisco Pinto, natural da zona de Lisboa, o seu primeiro contacto com os Açores deu-se por intermédio de um irmão que também se havia mudado, acabando depois por encontrar emprego em São Miguel e por permanecer na ilha, onde viria a conhecer a namorada “de uma forma muito engraçada”.
Acabaria também por se inspirar no empreendedorismo existente na família de Brenda Skrzypietz, uma vez que a sua mãe é também empresária, e todos estes factores viriam a contribuir para que também Francisco começasse a alimentar o “bichinho de querer abrir um negócio”, sendo que o seu sonho seria o de, precisamente, abrir alguma coisa no ramo da confeitaria, apesar de a sua formação inicial nada ter a ver com doces.
Em relação às diferenças que existem entre um brigadeiro mais tradicional e o brigadeiro gourmet, a jovem confeiteira salienta que a principal diferença está na matéria-prima que é utilizada, uma vez que “o brigadeiro tradicional normalmente é feito com os chocolates que temos em casa, e com o brigadeiro gourmet nós utilizamos chocolate belga e utilizamos toda uma linha superior de produtos”.
É esta escolha de produtos mais refinados que dá aos brigadeiros gourmet uma textura “mais cremosa e aveludada”, o que permite também jogar com outros sabores devido à densidade da massa, o que permite então que a B’ Doces conte actualmente com 17 tipos de brigadeiros com diferentes sabores.
Porém, conforme explicam os empresários, não há um brigadeiro que tenha um sucesso maior sobre outro, tendo em conta que a tendência mais comum é que as pessoas – aos poucos – provem todos os sabores que estão disponíveis, e que vão desde o brigadeiro de canela ao brigadeiro de creme brûlée, passando ainda pelos brigadeiros de fruta, como o morango ou o ananás dos Açores, quando a estação do ano permite aceder a estes produtos sazonais.
Para além dos sabores diferentes e do seu aspecto, os brigadeiros gourmet de Brenda Skrzypietz e Francisco Pinto ficaram também conhecidos pelo facto de poderem ser adaptados a prendas de Natal, de aniversário ou até para uma ocasião especial, podendo comportar pequenas mensagens como as palavras “parabéns” ou “amo-te”.
Tudo isto permite que este tipo de negócio não se esgote em si próprio, até porque, conforme explica a confeiteira, “o brigadeiro é um produto muito flexível: podemos usá-lo como um recheio de um bolo ou como um rebuçado, dá para fazer muita coisa com o brigadeiro, o que difere é a forma de o fazer, mas dá para fazer inúmeras coisas, por isso é um produto muito versátil”.
Em relação à loja que o casal espera conseguir colocar em funcionamento no próximo mês, realçam que – apesar do sonho de crescer – esta “não será um café” mas sim uma “brigaderia para as pessoas levantarem o seu produto” depois de o encomendarem através da página oficial da B’ Doces, garantindo assim que mesmo em plena pandemia conseguirão manter o negócio em funcionamento.
Conforme refere Francisco Pinto, o espaço no Centro Comercial Sol Mar terá o aspecto de um quiosque inspirado no estilo francês, sendo este cuidadosamente esculpido à mão e encaixado no espaço que lhe é destinado, predominando as cores que existem no logo da empresa, nomeadamente o rosa, o bege e o branco.
Avançar com a loja foi a forma que o casal encontrou de começar o novo ano com o pé direito, esperando conseguir deixar para trás as quebras que 2020 trouxe à grande maioria dos empresários, até porque esta foi uma das ideias que ficaram por realizar no ano passado devido à paralisação da economia.
Em relação ao ano que passou concluem que foi “um ano desafiador”, tendo em conta que o número de encomendas era positivo e que a B’ Doces se encontrava já na sua “zona de conforto”. Porém, a pandemia chegou numa das alturas do ano mais importantes e na qual as pessoas compram mais chocolate, a Páscoa, obrigando assim a uma mudança de estratégia. “Foi um momento muito desafiador para a gente porque nos queríamos resguardar e decidimos, para bem geral, não fazer brigadeiros na altura mais crítica, que foi quando a ilha toda fechou. Para nós foi muito desafiador perceber como é que nos iríamos reinventar de modo a que as pessoas não esquecessem a B’ Doces, então nós passámos cerca de um mês e meio sem fazer nenhuma divulgação, mas sempre pensando no que poderíamos fazer”, relembra Brenda Skrzypietz.
Ao decidir dar continuidade ao projecto, o casal percebeu que os clientes não se haviam esquecido dos brigadeiros, e embora as encomendas surgissem em menor número, sentiram que este foi um impulso extra para continuarem a crescer, já que também durante a pandemia sempre houve quem não se esquecesse destes docinhos como forma de sentir algum conforto.
“Ficámos muito lisonjeados pelo facto de os nossos clientes estarem a apoiar-nos em qualquer circunstância, e durante a pandemia as pessoas encontraram nos nossos brigadeiros um momento de aconchego.
Não foi a quantidade que estávamos à espera, tanto que iríamos abrir a loja no ano passado, mas decidimos abrir a loja este ano para deixar o ano mais leve e colocar uma esperança maior, por isso decidimos começar 2021 com o pé direito e deixar 2020 na nossa memória apenas”, salienta a empresária.
Apesar de tudo, e olhando para a experiência da mãe – também empresária – a jovem brasileira não esconde algum receio perante o novo ano, uma vez que os números de pessoas infectadas pelo novo coronavírus continua a aumentar. “Tenho um pouco de experiência por parte da minha mãe, que está a sofrer muito devido à Covid, tal como todos os empresários estão, então acabo por ficar com receio de que isto demore muito tempo a passar, ou que as coisas piorem, que a ilha feche toda novamente e que as pessoas não possam circular, então acabamos por ficar com receio de estarmos a arriscar agora”, explica. Porém, algo que tranquiliza este casal de empresários é o facto de saberem que o seu trabalho pode ser feito através de take away, factor este que salvaguarda um pouco todo o funcionamento do negócio.
Para além de, no futuro, terem o gosto de se dedicarem a outras áreas dentro da confeitaria e criar novos produtos, um dos sonhos do casal passa também por expandir para fora dos Açores e chegar até a Portugal continental, de onde é natural Francisco Pinto.
De momento, a par do projecto que têm entre mãos, o casal adianta ainda que se encontra a preparar uma colecção de brigadeiros dedicados aos Açores, onde para além de utilizarem sabores tradicionais pretendem ter um brigadeiro referente a cada uma das ilhas do arquipélago.                     

Joana Medeiros

 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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