10 de janeiro de 2021

Haja coragem e empenho

 1- Quando a esperança apregoada para o novo ano ia na direcção de uma mudança relativa a tudo quanto aconteceu desde que a pandemia invadiu o mundo nos finais de 2019, eis que estamos confrontados com o recrudescimento da Covid-21.
2- A doença alastra a galope, originando milhares de mortes todos os dias e obrigando os governos a impor restrições com impacto na economia e nas famílias, cuja dimensão só será verdadeiramente conhecida na altura em que se fizer o rescaldo desde cataclismo que nos ataca, como sendo um mensageiro a anunciar que a civilização tem de reorientar a bússola que a tem socialmente orientado.
3- Reorientação que depende do comportamento das pessoas e de uma nova ordem social e económica que acabe com a colossal desigualdade que existe quanto à repartição da riqueza, que a persistir aumentará a miséria, a revolta das vítimas que procurarão refúgio nos populismos radicais, pondo em perigo os regimes democráticos, porque se tornaram coutadas dos poderosos em nome do “santo desenvolvimento”.
4- Em plena pandemia, os 10 grandes empórios mundiais aumentaram a sua riqueza em mais de quatrocentos mil milhões de dólares, enquanto os pobres e remediados ficaram mais pobres.
5- É neste cenário que daqui a 14 dias irão decorrer as eleições presidenciais. Tal como defendemos que as eleições regionais de Outubro deviam ter sido adiadas, voltamos a reiterar o mesmo princípio quanto às eleições presidenciais.
6- Não estão reunidas as condições para que os eleitores possam acorrer às urnas, pior ainda, se o agravamento da Covid ditar um confinamento mais duro nos próximos quinze dias.
7- É verdade que a eleição dita o vencedor que tiver nas urnas mais de 50% dos votos dos eleitores, que para o cálculo tanto faz terem sido mil como dez mil, só que a legitimidade é diferente e será sempre um espinho no mandato do Presidente eleito.
8- A legitimidade é um valor essencial para o exercício da democracia, tal como agora se viu com os acontecimentos nunca antes imaginados, que se passaram na América, país que ostenta, com orgulho, os seus pergaminhos de uma democracia secular, e quando, em nome dela, não hesita em proclamar a guerra para implantar a liberdade nos quatro cantos do mundo.
9- O ataque feito, liderado pelo Presidente cessante, Donald Trump, ao Capitólio, que é o “coração” da Democracia nos EUA, foi uma revolta popular para prolongar o seu poder autoritário, populista e demagógico, para ganhar na rua o poder que perdeu pela vitória confortável do Presidente Joe Biden.
10- O que se passou na América é um aviso dos perigos que a Democracia corre neste tempo em que o saber e conhecimento usados pelo homem colocam inúmeros riscos à humanidade, isso apesar das prodigiosas vantagens que eles comportam.
11- A humanidade está confrontada com grandes desafios que vão desde a saúde, que está ameaçada pela persistente pandemia, passando pela forma de vida cultivada no pós modernismo, em que a responsabilidade dos cidadãos foi sobreposta pelo direito à igualdade sonhada, mas vivida sem balizas e princípios que desembocam numa anarquia onde todos mandam sem obedecerem.
12- É este modelo de vivência que, aproveitada pelos populismos autocráticos, além de colocar em perigo a saúde, mina as instituições e põe em perigo a liberdade quando ela é usada para destruir a democracia.
13- Daí que a grande mudança no pós pandemia tem, necessariamente, de assentar na mudança da mentalidade que tal como está, vai destruindo a pessoa pela perda de valores como o amor, a solidariedade e a partilha.
14- Isso não dispensa acatar as ordens de outros, assim como dar ordens no seio familiar, nas escolas, nas empresas e nas instituições que regem a Gespública.
15- O êxito que se espera alcançar no futuro depende de cada um de nós e do contributo que cada um der, seja no combate à pandemia, na recuperação da economia, da cultura e da educação e numa ordem mundial onde impere a justiça.
16- Só formando uma cadeia solidária com os governos a encabeça-la podemos juntos dobrar esse rincão que tanto nos atormenta. Haja coragem, empenho e o contributo de cada um.
                                    

Américo Natalino Viveiros

 

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Categorias: Editorial

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