18 de outubro de 2020

Dos Ginetes

Semana para reflectir

Mesmo se é um assunto que a maioria das gentes quer resolvido rapidamente, pois cada ano várias eleições estão de volta como a festa do Natal, não podemos deixar de meditar um pouco sobre as próximas Regionais que darão a palavra ao povo no próximo Domingo. Nesse dia nada podemos comentar publicamente pois é importante que as pessoas não se sintam influenciadas “à última hora” pois não é a forma mais elegante para elevar a qualidade da Democracia e total independência na decisão final que queremos a melhor tal como nos dita a consciência.
 Confesso que por cá tem sido tudo muito calmo à excepção do barulho ensurdecedor de algumas músicas adaptadas para o evento como se de uma feira se tratasse além de que a minha caixa do correio recebeu algumas vezes propaganda eleitoral com as mesmas caras “estampadas” num pedaço de papel que na realidade pouco ou nada dizia, porque o discurso é sempre o mesmo depois de passados já muitos anos. Nada de novo para despertar o nosso povo isolado e conformado nesta maravilhosa terra dos Ginetes que merecia muito mais. Um verdadeiro diálogo com esta gente não foi possível pois o período dito de pandemia do Covid-19 foi um obstáculo ao contacto directo com as gentes que em muitos casos talvez tivessem muito para querer saber. Não sei o que ainda farão nesta próxima e última semana de campanha, mas de qualquer forma não será a falta de visibilidade e verdadeiro diálogo que me farão ficar em casa no próximo Domingo, e apelo aos meus amigos dos Ginetes que cumpram também o seu direito de votar. Não importa a opinião da mulher ou vice-versa do marido, dos irmãos ou dos amigos. O importante é dar voz à própria consciência. Naquele pequeno espaço reservado para o voto manda cada qual na sua própria vontade.
Para justificar a forma “desinteressada” como temos vivido esta importante Campanha Eleitoral poderão até argumentar os mais interessados que a nossa televisão dos Açores colocou tempo de antena suficiente ao serviço dos vários representantes dos partidos, o que não nego, nem tão-pouco coloco em dúvida o profissionalismo dos seus responsáveis, mas, Meu Deus, há gente que antecipadamente está comprometida com a política para apenas completar o número de inscritos que a lei permite nas várias listas esperando após as eleições um “pequeno tacho” como recompensa. É assim, sempre foi e continuará da mesma forma enquanto não mudar o sistema eleitoral que na realidade não reflecte a verdadeira vontade do povo. Votar num Candidato a Deputado não é difícil, mas fazê-lo por um Partido continua a ser mesmo muito complicado pois lá estão em lista gente que depende na maioria dos casos da vontade do chefe do partido e por tal submissos à vontade do mesmo apesar de, creio eu, nem sempre concordarem com as directivas do mesmo. Há que respeitar o que chamam a “linha do partido” sob “pena” até de expulsão do mesmo.   
Fazem-se promessas sabendo que antecipadamente não será possível realizar ou então se o forem ficarão para o final do próximo mandato como “isca” para as próximas eleições que voltarão no final dos quatro anos que se seguem. Sei que as gentes da minha terra têm o sentimento de que já foram enganadas com promessas falsas, mas só peço que não fiquem em casa. Mais uma vez repito que votar é um direito sagrado em democracia e não o fazer é deixar que outros continuem a beneficiar de uma qualidade de vida à custa dos nossos impostos o que separa cada vez mais os direitos cívicos e humanos entre ricos e pobres. A política nunca deveria ser uma profissão como estamos habituados em Portugal, neste caso nos Açores. Há gente que decidiu, e teve sorte, de enveredar por esta profissão bem remunerada como poucas, mas estando, muito longe da realidade que se vive nestas terras. Criou-se a imagem de que os políticos competentes devem ser pessoas sempre com uma formação universitária fora do comum. Verdade que necessitamos no mundo de hoje gente bem qualificada, mas também de gente que saiba o que é a pobreza, o trabalho duro no campo que transforma muitas vezes homens e mulheres simples em gente conhecedora dos verdadeiros problemas da vida. E reparem que por não serem doutorados, por não possuírem o que habitual chamam “um canudo” não são tão ignorantes como pretendem classifica-los, contribuindo assim para a partida dos mesmos que abandonando rumo a outras culturas se tornam em grandes homens e mulheres de negócios porque aqui nunca lhes sorriu uma pequena oportunidade.  
Repito que não é minha intenção aconselhar a votar num partido. São todos supostamente formados por gente honesta, evidentemente com sensibilidades diferentes dependendo das várias experiências de vida no passado. É por tal que muitas vezes avaliamos a percentagem de arrogância que faz de alguns, que felizmente ainda existem, amigos dos eleitores mesmo que não partilhem sempre as mesmas ideias, e a percentagem daqueles que terminado o acto eleitoral nem com um  “bom dia” bem à moda e simpatia do povo destas Ilhas, são capazes de saudar. Pessoalmente já vivi tais experiências que na realidade não me incomodando deixam sempre uma pequena marca que acaba por magoar, mas que me não alteram os princípios a partir dos quais se rege a minha consciência.      

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Categorias: Opinião

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