17 de junho de 2020

Os Pontadelgadenses e a sua Autarquia!

 


Vem esta meditação, como cidadão nascido, criado e vivendo, desde sempre, nesta cidade de Ponta Delgada, a propósito da “suspensão” do cargo de Presidente desta Autarquia do Dr. José Manuel Bolieiro que, numa altura muito difícil para os munícipes, derivado à pandemia – Covid-19, abandona o barco, para se dedicar às tarefas de presidente do seu partido. Fica a substituí-lo o seu vice-Presidente Engenheiro Humberto Melo, pessoa por quem tenho amizade e consideração que, infelizmente, após três meses, renuncia ao mandato por razões de saúde. 
Há largos anos que Ponta Delgada, o maior concelho de S. Miguel e dos Açores, particularmente a cidade de Ponta Delgada, tem vindo a perder a sua pujança económica e estratégica no conceito de ilha e Açores. Como exemplo, é ver a caminhada de formiga, com passos certos e seguros, do concelho vizinho, a Lagoa!
Há largos anos que esta Câmara tem vindo a ser usada pelos seus Presidentes, em guerras de alecrim e manjerona, na política, com objectivos individuais, que se sobrepõem ao fundamental, o desenvolvimento da cidade, do Concelho. 
Ponta Delgada é uma cidade desordenada, parece não ter um Plano que sirva de base ao seu desenvolvimento, anda ao sabor do dia a dia: o trânsito é caótico, não possui parques gratuitos que chame o cidadão à cidade, ao seu comércio, à sua restauração; os residentes sofrem e acabam por abandonar o centro da cidade, deixando-o deserto. A confusão nas estreitas ruas, entre o trânsito, o descarregar e carregar cargas, e os peões é medonha, geram insegurança e confusão. É uma cidade sem condições e insegura para quem tem mobilidade reduzida e para os invisuais!
Surgiram obras megalómanas, muitas em nada trouxeram benefício, até pelo contrário, descaracterizaram a cidade pela negativa, como é o caso do Largo do Teatro Micaelense. Deixaram enorme dívida, condicionando o futuro!
O parque Industrial Azor-Parque, que custou milhões, construído em concorrência com dois privados que queriam construir um Parque com as mesmas características na zona, mas acabaram por desistir por concorrência desleal, está falido! Uma polícia Municipal que surgiu com a promessa de estar presente na rua para dissuadir e prevenir o crime, não se vê por onde anda, nem a sua utilidade, mais um rombo no orçamento camarário.
O parque empresarial nos Valados que nasce ilegalmente, de uns edifícios construídos só com a finalidade de serem “armazéns”, e que hoje é o maior parque empresarial dos Açores, cheio de irregularidades e que para a sua regularização muito terá de suportar o bendito orçamento camarário.
A velha Calheta Pêro de Teive, um marco na História de Ponta Delgada, um património incalculável nos dias de hoje que foi, sem honra, soterrada, e há vinte um anos aguarda solução final, envergonhando a cidade, a ilha. Continua à espera de solução! Até promessas de queixa a Bruxelas foram feitas, continuando tudo como em Abrantes!
O Mercado da Graça onde foram gastos milhões em remodelações que nunca dignificaram o espaço nem os seus comerciantes, aguarda, há anos, a tão prometida remodelação, com a certeza que agora sim, vamos ter um espaço condigno!  
O abandono do nosso património construído, a nossa História, como por exemplo; o forte de S. Caetano - séc. XVII e a Muralha Defensiva - séc. XVIII na zona das Milícias, que podiam valorizar e enriquecer em muito a nossa oferta turística. 
Loteamentos novos de grandes dimensões com viabilidade de construção, não prevendo zonas de lazer para crianças, com varandins à altura da cabeça do peão, sem condições de circulação para pessoas com mobilidade reduzida e que anda a Câmara aos bochechos a reconstruir com o seu ditoso orçamento. 
A cidade, aos poucos, vai sendo descaracterizada no seu rico património construído, ao sabor das ondas e das modas, exemplo disto são as típicas moradias existentes a Sul na Rua da Praia dos Santos e que estão a ser demolidas para dar lugar a caixotes! As barracas e barraquinhas instaladas na Avenida Infante D. Henrique em frente à honrosa sala de visitas de Ponta Delgada, as Portas da Cidade, oferecem um aspecto terceiro mundista e nada se justifica a sua existência naquele local com o surgimento do espaço Portas do Mar e as esplanadas no edifício Solmar.
Muito mais havia para reflectir sobre o que se está a passar com Ponta Delgada, no entanto, é tempo de lutar e dignificar esta Cidade, este Concelho.
Para Ponta Delgada é preciso com a máxima urgência um cidadão honesto, que reúna consenso entre os seus munícipes, de preferência com provas dadas, que goste do seu concelho e queira ser solução, que saiba fazer pontes, unir, ter como política, apenas e só, colocar Ponta Delgada onde deve de estar!
Se é das fileiras de um partido ou se é independente o que lhe é exigido é competência, saber, honestidade e o amor a Ponta Delgada! 
Ponta Delgada merece mais e melhor! 
 

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Categorias: Opinião

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