5 de abril de 2020

Atordoados, mas vendo o futuro!

1 - Ainda atordoados pela invasão sorrateira da Covid-19, que continua a infectar e a disseminar vidas, os estudiosos da economia e da sociologia começam já a recriar cenários para a nova sociedade pós-pandemia.
2 - Os políticos seguem o mesmo caminho, e começam a olhar para os estragos que vão ter dentro de portas e como se vai redesenhar a Nova Europa.
3 - Foi interessante ouvir por isso o Primeiro-ministro dizer, que “a maior reflexão que temos de fazer, é que hoje não podemos ter cadeias económicas tão extensas e tão dependentes de um só país como a China. Essa é a maior lição”, para depois considerar “muito positivo” o facto de “várias empresas reorientarem a sua produção” para fornecerem bens que são importados para usar na protecção à Covid-19.
4 - Temos dito, e agora reafirmamos, que o Ocidente, e os EUA, foram conduzidos pela onda da globalização, que originou a deslocalização de empresas e indústrias para os países emergentes, que se têm tornado em potentados, graças ao uso de mão-de-obra barata, à “cópia” da tecnologia, e laborando em condições de autêntica escravatura.
5 - A Europa foi incapaz de proteger os seus trabalhadores e a sua indústria, e preferiu antes fomentar o lucro rápido e fácil que o mercado financeiro calculou obter nos países emergentes. A qualidade da produção ficou arredada desse cálculo, como se vê agora com as importações provindas da China para acudir à pandemia.
6 - Isto é, chegou a hora de olhar para dentro de portas, criando-se para o efeito um Fundo de apoio ao investimento que tenha por objecto participar no capital social das empresas, nas que existem e tenham de ser reestruturadas, e nas novas que se venham a constituir. 
7 - O Fundo deve reger-se por normas simples e acessíveis a todos os projectos credíveis. Na medida em que tais empresas  forem criando valor e ultrapassando os riscos, o capital do Fundo poderá ir passando gradualmente para as mesmas, libertando depois meios para investir noutros projectos.
8 - É fundamental dar estímulo à imaginação dos nossos empresários e ajudá-los a conquistar mercados depois desta enorme tempestade, e criar para o efeito, uma nova economia de pendor  social, pensada para servir as pessoas na sua diversidade, respeitando e protegendo o Ambiente.
9 - O Estado minimalista vai dar lugar a um Estado mais presente e mais forte na Economia, não só pelo colapso de sectores vitais para a sociedade, mas também pelo facto de ter até agora sustentado com displicência, a ruinosa gestão de várias instituições e empresas, consequência do tal Estado minimalista.
10 - Outra grande preocupação centra-se no futuro da União Europeia, que se tornou num clube que gere os interesses de cada Estado membro, assente nos negócios de cada um, e não nos interesses do conjunto. A pandemia pôs a nu a incapacidade de acção imediata da Comissão na defesa dos Estados duramente atingidos pelo vírus, revelando desse modo a sua impotência para tomar no imediato, medidas comuns no que toca à defesa e às finanças da União.
11 - A Região tomou uma medida severa ao criar cercas sanitárias em metade dos Açores, que representa a Ilha de São Miguel. Dir-se-á que foi uma medida cautelar. Outros dirão que foi uma medida de força e de desafio nacional, devido ao desacerto entre a Republica e a Região desde o dia 14 de Março, quando foi pedido o encerramento dos aeroportos dos Açores, e no caso, uma oportuna medida de segurança.
12 - A cerca começou mal, porque não foi antes montado o dispositivo de controlo, nem foi dado tempo suficiente às entidades abrangidas pelas excepções, de modo a certificarem os trabalhadores que têm de circular entre concelhos. 
13 - A doença do isolamento começa a crescer desmesuradamente e não tarda aparecer quem morra, não do vírus, mas do isolamento a que se encontra sujeito. 
14 - Há quem defenda, que depois de confirmado o portador do vírus, essa pessoa não deve ficar em casa. Deve ser recolhido em lugar próprio, e se não há dinheiro para os colocar nos hotéis, pois que se criem espaços nas instalações militares, que têm certamente conhecimento e meios para o efeito.  
          
  

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Categorias: Editorial

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