1 - Depois de ter sido conhecida a insolvência da Associação de Empresas de Trabalho Portuário de Lisboa, os estivadores decidiram parar a 100% até ao fim de Março, a actividade no Porto de Lisboa.
2 - A greve parcial já estava a afectar o transporte marítimo entre a Região e o continente, com consequências gravosas para as empresas e para os consumidores de bens importados, e a paralisação a 100% terá agravará os custos de transporte se a mercadoria tiver de ser reencaminhada pelo porto de Leixões.
3 - Tal situação nada tem a ver com o modelo actual de transporte marítimo. A causa dos estrangulamentos deriva dos operadores de terra, e é triste não haver uma posição por parte dos governantes, quanto a esta matéria, ao contrário do ruído que tem sido feito, por causa dos prejuízos e das benesses da TAP.
4 - Não estamos a favor dos supostos desmandos na TAP; o que destacamos é o muito que se diz por um lado, enquanto pelo outro, o que se vê, é um silêncio sepulcral, como se tratasse de algo banal.
5 - Como um mal nunca vem só, os chefes de Estado e de Governo não chegaram a acordo quanto ao Orçamento plurianual da União Europeia para 21-27 e vão voltar a reunir em Março para acertarem agulhas.
6 - A UE está entalada na teia legislativa que foi impondo padrões para os produtores da União que implicam custos acrescidos nas suas explorações, ou nas indústrias, padrões que depois não são aplicados aos produtores e industriais dos países exportadores para a União Europeia, gerando assim uma desigualdade, só possível de remediar através das compensações da Política Agrícola Comum (PAC), e da Política de Coesão.
7 - Se vencer a proposta de reduzir 15% nos apoios da PAC e 10% nos Programas de Coesão, teremos na Região um problema muito grave na Agropecuária e no apoio ao investimento. Isto é, com consequências para a reforma industrial que a Região precisa fazer como pão para a boca.
8 - Temos de ter esperança, mas é preciso, sobretudo, começar a desenhar um novo modelo de desenvolvimento, sob pena de continuarmos a divergir do PIB da União Europeia, em vez de convergirmos como é desejável.
9 - E por falar em divergência, de acordo com os números oficiais, as listas de doentes que aguardam vez para uma cirurgia continuam com números preocupantes. Ora vejamos:
10 - No hospital de São Miguel são 8.834 utentes em espera. No hospital da Terceira são 1.924, e no hospital da Horta temos 1.304. A soma totaliza nos Açores 12.085 utentes que esperam vez para uma cirurgia.
11 - Mais de 1/3 do total dos doentes que estão em lista de espera, ou seja 4.416 utentes aguardam vez nos hospitais da Região há mais de dois anos, o que representa quase 2% da população dos Açores a aguardar vez para uma cirurgia.
12 - Entretanto, o Hospital do Divino Espírito Santo tem 20 médicos tarefeiros que vêm do continente prestar serviço por junto de 110 dias de consulta por mês, e custam cera cerca de 85 mil euros mensais, o que representa uma media de 4.500 euros mês cada.
13 - No Hospital do Santo Espírito na Terceira regista-se apenas três médicos tarefeiros, que no conjunto prestam 19 dias de trabalho e custam 12 mil euros, o que equivale ao pagamento médio de 4.000 euros cada.
14 - O Serviço Regional de Saúde gasta com os médicos tarefeiros 1,1 milhões de euros, sem contar com as despesas de transporte, hospedagem e alimentação.
15 - Enquanto isso, um médico especialista na posição 1 ganha 2.746,24€ e o médico assistente graduado sénior ganha 4.033,54, brutos por mês.
16 - O milhão de euros que se paga a 32 tarefeiros, dava para os hospitais contratarem 290 médicos com a categoria de assistente graduado sénior por tempo indeterminado.
17 - Essas são injustiças que deixam feridas numa classe profissional que tudo faz para termos um serviço Regional de Saúde competente e de qualidade.