Amigos e Irmãos, “romeiros” estamos” no atalho” a caminho, para renovar outra peregrinação, as tradicionais romarias micaelenses.
DOM JOÃO LAVRADOR: Exigisse por parte dos Baptizados e Comunidades Cristãs, que estejam atentos ao desafio da novidade que o Espírito Santo lhes provoca.
Balizados pela fúria da natureza, “aquele” este povo ao longo dos tempos, não desiste.
Estima-se que as romarias “Quaresmais” Micaelenses, tiveram o seu início, logo após as erupções vulcânicas, ocorridas no século XVI.
Lacrimoso com os prejuízos causados, pelo furor da natureza, este povo saiu á rua, pedindo, clemência a Deus.
Ecoaram, que morreu “ quase toda a população” destruindo e soterrando, a quase totalidade, desta antiga Capital de S. Miguel, Vila Franca.
Zelamos por esta tradição de fé, oriunda do nosso povo, com seu inicio, no ano de 1552,após esta catástrofe.
A reconstrução desta “antiga” Capital de São Miguel, não se fez de Imediato, com medo da sua gente, em viver lá.
Além de ter morrido quase toda a população, iniciou-se um ciclo de reflexão, com muita emigração e alguns foram viver para outras localidades.
Durante as cinco semanas da Quaresma, estes peregrinos, homens de fé, vão percorrer a Ilha de São Miguel.
Estamos certos, que as romarias Micaelenses, iluminam a nossa Ilha: nas famílias, paróquias e pernoitas.
Somos convocados para as romarias, para testemunhar, orar, apoiar, partilhar e criar amizade “Cristã”.
Caminhando para além da devoção é cultura que sustentamos e um fenómeno de convicção de um povo que não desiste.
Andam à volta da Ilha meia centena de grupos, “paróquias”, que variam entre os vinte, chegando quase aos duzentos, perto de dois mil e quinhentos irmãos.
Muitas Senhoras no passado, participavam nas peregrinações, no pós-moderno, só participa o sexo masculino.
Itinerário: saímos da nossa Paróquia, sempre com o mar pela esquerda, tipo os ponteiros do relógio e regressamos à mesma.
Nunca vamos para a estrada depois de o nascer do sol e somos recolhidos após o pôr-do-sol.
Homens, jovens e crianças, “romeiros” são recebidos pelos irmãos da paróquia, com a qual, está previamente estabelecido, que lá pernoitamos.
A “fome de palavras”, o convívio, muitos destes irmãos que nos recebem, fazem questão de voltarmos no próximo ano.
Romarias Quaresmais: este fenómeno derrama-se, é saudável para a nossa Igreja, “sendo transversal à nossa crença”. É certo, que qualquer comunidade pode recuperar, “converter” muitos irmãos afastados da palavra do Senhor.
Semana rica em meditação, rumo á terra prometida, com uma conjuntura propícia, para reflectir, meditar, rir, chorar e partilhar.
Juntos recebemos os mais afastados, acolhendo de bom gosto, (os que estão na periferia da vida). Atenção: mestres, contramestres, têm que ter mais “estima” e tolerância com os novatos.
Um peregrino é um viajante de fé, na dúvida do caminho e da vida, na incerteza da pernoita e do amanhã.
Nos afazeres do dia-a-dia, lazer, trabalho, o romeiro é uma pessoa sinalizada. Este peregrino é conhecido pela sua postura, sensibilidade e pelas alfaias que transporta.
Todos vêm os romeiros, como pessoas desiguais: estes “alertas” são sinais, não podem falhar, o romeiro é visto como uma pessoa diferente.
O nosso romeiro ao cruzar-se diariamente com alguém, recebe e transmite, boa tarde ou bom dia irmão.
Ser romeiro, é de enorme responsabilidade: já fui recebido “recolhido” por varais gerações, não imaginam o formigueiro que dá, ao entrar numa morada e escutares, (foi Deus que entrou nesta casa).
É certo que os primeiros ranchos de romeiros, eram pessoas típicas do campo. Nunca será de mais, “tentar” explicar e falar sobre o traje “típico”, das romarias Micaelenses.
A ” CEVADEIRA”: era para quem passava, mais do que um dia “no campo”, fora de casa.
O” BORDÃO”: era marca das pessoas do campo, faziam “fazem” questão de usar no dia-a-dia.
O ”XAILE”: era habitual, à tiracolo ao ombro, só com chuva ou frio, era usado, para proteger das intempéries e afazeres do campo.
O” LENÇO”: era cultura das senhoras: as amas usavam o lenço, para proteger do sol, do frio e dos trabalhos da cozinha, transmitia alguma protecção.
O TERÇO: é genuíno a única alteração”: no passado, os romeiros faziam outras contas, porque o rosário era contado, “pelos dedos”.
Num passado recente, passou a ter um significado místico Religioso. Plagiando uma simbologia do traje, “DENTRO DA PAIXÃO DE CRISTO”.
(O XAILE simboliza a TÚNICA de Jesus), a (CEVADEIRA a CRUZ DE CRISTO,) o (LENÇO a COROA DE ESPINHOS) o (BORDÃO é o CEPTRO DE JESUS).
Eram tempos de calamidades, não havia dinheiro para comprar o “TERÇO”, para as romarias, “os irmãos do passado”, não usufruíam salário naquela semana.
Meu Pai “e outros” utilizavam pequenos cascalhos que apanhavam na rua. Contavam até dez, pelos dedos, “uma dezena”, cinco pedras, finalizavam UM TERÇO.
Sou obcecado por bordões das romarias, ao longo das muitas caminhadas Recebi um “bordão Centenário” de um irmão da Covoada, “com ordens para caminhar a semana inteira”.
Perguntei ao Irmão, “bisneto” que me ofertou o bordão, mas porquê estes dez nós no bordão?
Resposta, o meu bisavô, não tinha dinheiro para comprar o TERÇO, arranjou um bordão, com dez nós, “rezava à dezena”, sabendo que CINCO DEZENAS, ERA UM TERÇO REZADO.
IRMÃO JORDÃO jordao1256@hotmail.com.
Jordão Botelho