Vai participar pela terceira vez na feira Maison&Objet, em Paris, considerada como um dos maiores eventos internacionais de arquitectura, decoração e lifestyle, em Setembro deste ano. Que importância tem esta participação na sua carreira?
A Maison&Objet é o lugar onde vou apresentar o projeto da minha vida. Vou contar a história do lugar onde cresci, vivi, onde tenho a minha família, amigos e acima de tudo a cultura açoriana, com todas as suas tradições e vivências. No que diz respeito à minha carreira, o meu projecto ter sido seleccionado para participar na Maison&Objet é uma mais-valia, sendo que se trata de uma das maiores feiras do sector à escala internacional. Acredito que a participação na feira será uma boa oportunidade para dar o conhecer o trabalho que se faz nos Açores, ao nível da arquitectura, decoração e lifestyle.
Que peça leva este ano a Paris? Que materiais utiliza?
Vou apresentar em Paris a minha quarta colecção - uma ecocabana inspirada nos Açores. Neste projecto ecológico para eco turismo vou utilizar desperdícios locais, como por exemplo, a lã de ovelha, as escamas de peixe e o barro vermelho da Terceira. Desde o mobiliário à decoração, todos os elementos serão feitos a partir destes desperdícios e isentos de consumo energético. Todo o design da ecocabana é exclusivo do NietaAtelier, não existirão duas peças iguais, serão únicas, porque estamos a trabalhar manualmente, peça a peça. Quem entrar nesta ecocabana vai ter o privilégio de sentir e viver os Açores tal como eles são - simples e únicos.
Tem tido uma maior preocupação com a sustentabilidade ambiental nos seus trabalhos?
Este é um projecto sustentável de cariz social. O projecto da cabana ecológica do NietaAtelier como todos os outros trabalhos têm na sua génese uma preocupação com a sustentabilidade ambiental, razão pela qual todas as minhas peças surgem de desperdícios e são isentas de consumo energético. Exemplo disso é o último desafio dentro do upcycling em que eu estou inserida. Apadrinhei o projeto Granny to Trendy, uma iniciativa solidária com mais de 50 pessoas envolvidas, onde vou doar uma percentagem das vendas das peças desta colecção inspirada nos Açores à Cruz Vermelha, porque acredito que as minhas colecções podem ser inspiradas nos desperdícios dos quatro cantos do mundo e mudar vidas.
Os Açores são fonte de inspiração?
Os Açores são a minha fonte de inspiração. Passados 20 anos de ter deixado a minha terra natal para rumar a Guimarães, ainda me lembro das cores, cheiros e texturas deste lugar. O meu agora regresso não podia ser de outra forma, se não a criar uma colecção toda inspirada no lugar onde nasci.
Regressou à ilha Terceira, de onde é natural, depois de 20 anos fora. Como tem sido o seu percurso no design e o que a levou a voltar a casa?
Passados 20 anos fora, o regresso à minha terra natal foi cheio de emoções, novas encontros e experiências. Pensava que não ia ser fácil, devido à minha área de formação e à génese do meu projecto Nieta Atelier, mas surpreendi-me, porque tanto os meus parceiros e investidores nacionais, como os de cá, acreditaram e abraçaram desde logo o projeto. Cheguei há cerca de um ano e, depois de muita pesquisa e investigação sobre a Região, já consegui reunir com vários artesãos locais para agora e até à Maison&Objet desenvolver as peças e dar arranque a este projecto dos Açores.
Por que decidiu instalar-se no TERINOV?
Foi precisamente na sequência de um workshop organizado pelo TERINOV - Parque de Ciência e Tecnologia da Ilha Terceira que surgiu o convite para me instalar cá. Já tinha esta vontade de regressar à minha terra natal, depois de me aperceber dos sistemas de incentivos que estavam a ser desenvolvidos cá na Região, no que diz respeito ao apoio às empresas, com o arranque da operação do TERINOV, rapidamente decidi pôr em prática esta vontade de regressar. No TERINOV temos a vantagem de estar inseridos num ecossistema empresarial com empresas de diferentes áreas, onde facilmente resulta um intercâmbio de conhecimentos.
CA/DI