3 de novembro de 2019

Recados com Amor

Meus Queridos! Tinha prometido a mim mesma não voltar a tocar no tira puxa, que alguns dos nossos queridos conterrâneos da Ilha de Jesus, (Terceira na descoberta), têm alimentado sobre a origem dos voos da Delta Air Lines, para São Miguel, que segundo eles… feitos à custa das contrapartidas da Base das Lajes, e que por isso, eram para ter como destino a Terceira… mas depois, … os aviões foram malevolamente desviados para São Miguel… Os cronistas que escrevem sobre tamanha façanha afirmam a pés juntos que o Governo do meu querido Presidente Vasco Cordeiro sabia que assim era, … porque a matéria foi até discutida numa das chamadas reuniões “bilaterais” entre representantes dos EUA e de Portugal… Toda a trama da golpada que beneficiou São Miguel… assenta no disse que disse, e na conjectura que se tratou de um serviço combinado entre a companhia de aviação Delta, que presta serviços contratados pelo Pentágono no transporte de tropas militares… Assim sendo, os voos da dita companhia para os Açores foram uma recompensa do Pentágono pela retirada americana das Lajes. Isso é dito e escrito sem qualquer papel que o comprove… Tal santa ignorância! Se porventura o Governo americano quisesse dar um rebuçado para adocicar a boca dos terceirenses, … quem o aceitou bem merece um par de coices, por se ter contentado com tão mixuruca esmola… Para mim, enquanto não vir um papel contendo preto no branco… a ligação do Governo americano aos voos da Delta para os Açores, contínuo a dizer que estamos perante uma cabala, com o propósito de alguns iluminados e incapazes… alimentarem o vírus do divisionismo doentio e nauseabundo que cultivam entre a Terceira e São Miguel… Isso mesmo é o que retiro de um artigo publicado Quinta-feira no Jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, da autoria do senhor Marcos Couto, que esquece nas contas que faz, o esforço e a solidariedade que as outras Ilhas, sobretudo São Miguel têm despendido para que a Terceira seja o que é… E já agora, a propósito lembro ao articulista, que não tenho o gosto de conhecer, que as contrapartidas americanas não se deveram apenas pelo uso da Base das Lajes pelos americanos, mas sim pelas facilidades concedidas nos Açores… abrangendo por isso as facilidades concedidas noutras ilhas sobretudo em São Miguel… Se tiver dúvidas, recomendo uma leitura do acordo que foi negociado entre as partes… que deve também mencionar  os milhões de dinheiro e equipamentos militares que foram parar às Forças Armadas e ao Orçamento do Estado… Para terminar, lembro ao senhor Marcos Couto que foram muitos os turistas que vindos na Delta foram depois para a Terceira sem pagarem mais um euro, ou seja quem quis ir à Terceira foi, e conheço muita gente que assim fez…

Meus queridos! Este ano aqui na minha Rua Gonçalo Bezerra, foram poucas as crianças que me bateram à porta para uns rebuçados do Halloween. Não sei se é por causa das escolas que estão cada vez mais a ensinar que a nossa tradição é a do Pão-por-Deus ou se foi pelo mau tempo que teima em não nos dar descanso…. Eu sou uma mulher que gosta de respeitar as tradições e fui criada no tempo em que nesse dia, para se comemorar o  Pão-por-Deus…. cozia-se no forno de lenha  pão com uma massa feita à base de  farinha de milho e de trigo, amassada com  leite para o tornar mais fofo… Muitos desses pães eram colocados na soleira da janela para quem por ali passasse os levasse sem que fossem  vistos…. Outros eram distribuídos pela vizinhança mais necessitada… Mas, apesar disso, não vejo razão para tanta fúria contra as importadas bruxas… pois afinal o mundo evolui e nisso de tradições, primeiro estranha-se e depois entranha-se. Há anos, no Natal era só Menino Jesus… e hoje lá anda Ele acompanhado do vermelho barbudo da Coca Cola… E pelo Carnaval, lá vieram os sambas brasileiros destronar os nossos antigos mascarados e danças de cadarços… Tudo evolui e não vale a pena fazer dramas por tão pouco, porque guerra contra moinhos de vento é coisa de literatura. Cervantes que o diga!


Meus queridos! Quero mandar um ternurento beijinho ao meu querido cónego João Maria Brum e seu colaborador, padre Victor Arruda, pelos 50 anos da Capela do Coração de Maria, que se completaram no Dia de Todos-os-Santos. Diz-me a minha prima da Rua do Poço que a missa que marcou a data foi um momento de fazer memória de quantos se esforçaram para que aquele templo ali fosse construído, com o seu centro social e todas as suas valências e que durante estes 50 anos, de forma continuada e sempre adaptada a cada tempo muito tem feito para melhorar a vida de muita gente, numa zona que era bastante difícil socialmente. Não me posso esquecer nesta data daquele que foi o coração de toda esta grande obra, monsenhor José Baptista, um santo, como se dizia, e que morreu 20 anos depois da inauguração da Capela, naquele trágico acidente, sendo sepultado precisamente no dia que fazia 67 anos. Espera a minha prima da Rua do Poço que sejam devidamente comemorados estes 50 anos, num tempo em que é tão fácil esquecer o esforço do passado para sermos o que agora somos!


Ricos! E já que estou a falar do saudoso padre José Baptista, que nasceu aqui na minha cidade -norte, para os lados da Conceição, quero dizer que muito gostei de ler no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio a evocação feita pela meu querido director-adjunto, Santos Narciso e a entrevista do meu querido cónego João Maria Brum e aproveito para mais uma vez pedir a alguém responsável para não deixarem perder os quadros da Via-Sacra pintados pelo então padre José Baptista e que jazem nas húmidas paredes da ermida da Mãe de Deus e que bem mereciam um lugar digno para ficarem assegurados já que hoje até parece vergonha ter uma via-sacra nas igrejas, onde pelas paredes vão colocando apenas um arraial de cruzes, desvirtuando e esquecendo o que durante séculos foi piedade popular. Cá p’ra mim, estes quadros merecem estar numa exposição evocativa do cinquentenário da Igreja do Coração de Maria!


Ricos! Muito gostei de ler no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio a notícia de que o Hospital do Divino está a tentar arranjar mais um médico para as cirurgias de reconstrução mamária das mulheres vítimas de cancro de mama. Oxalá que possa ser verdade, porque com os tempos de espera até há muitas que desistem, porque entra ano e sai ano, sem nada se resolver e depois até esmorecem e acomodam-se. Mas a gente sabe que é a falta de pilim que comanda o andamento das coisas… pois até para fornecerem próteses mamárias e soutiens, há alturas em que há e outras em que se espera e desespera… Até há quem diga que as ditas cujas próteses e soutiens dão um ar da sua graça é nos anos em que há eleições… Camada de más-línguas!


Ricos! Com esta coisa da idade, vou ficando sem muita paciência para seguir os debates parlamentares, embora goste de ver uma boa e aguerrida discussão política, em que não falte a elevação, porque o debate saudável é um grande sinal de democracia. Mas, esta semana e como era a apresentação do programa do maior Governo de sempre, lá fui seguindo alguma coisa e digo sinceramente que São Bento já não é o que era, pois já não se vêem oradores, …O que se vê cá e lá são discursos cheios de ódios políticos e linguagem a dar para o rafeiro. Mas não pude deixar de me rir quando o Primeiro-Costa atirou para um deputado que “em vez de olhar para o tamanho do Governo, olhasse para o encolhimento da sua bancada”. Ou seja, “deixa a minha gordura e olha pelos teus ossos”… Mas, meus queridos, depois de ter ouvido e visto o que vi esta semana… senti dó dos deputados e eu própria perdi a paciência só de ouvir… o que foram ao longo do debate bolçando… No fim fico em crer que o único ditado que não vai ser usado nestes quatro anos é: “quem fala assim não é gago”… senão tal ditado seria logo considerado uma afronta e descriminação à gaguez!


Meus queridos! O caos de trânsito no burgo de Ponta Delgada é assunto que já custa dele falar… e coitado de quem ainda se atreve a morar no centro da urbe que está a transformar-se numa verdadeira selva. A gente tem ouvido muitas vezes que é preciso moldar o ritmo de construção de prédios à capacidade de estacionamento para os seus moradores e até há quem diga que por cada apartamento que se constrói seria obrigado haver dois lugares de estacionamento no prédio. A minha prima Teresinha, interessada nuns apartamentos lá para os lados do Paim, e que estão em construção, perguntou logo se tinha lugares para o seu popó e para o popó do marido…. e ficou banzada quando soube que nos dois prédios, cada um com 16 apartamentos, só havia 8 lugares de estacionamento, ou seja, metade dos apartamentos serão de donos que deixarão os popós ficar na rua…. onde o trânsito já é um inferno… Mas é que temos!


Ricos: Acabo de saber que os enigmáticos convívios na Quinta Murada, lá para os lados da Ribeira Seca da Ribeira Grande, voltaram em força, com as minhas amigas muito animadas, não só pelos deliciosos manjares saídos das mãos da Amparo do Espírito Santo, que delicadamente se esmera na escolha da ementa gastronómica e ainda por cima por liderar uma mordaz celeuma ao longo de todo o serão, chegando ao ponto de manifestar as suas simpatias pelas posições do Chega, partido acabado de chegar à bancada da Assembleia da República. Pelo que me contaram, foi apesar de tudo uma noite muito agradável, embora todas as baterias estivessem direccionadas para a minha prima Cesaltina que ultimamente tem sido muito badalada na comunicação social, pelas suas iniciativas empresariais, que muita ciumeira tem provocado cá pelo burgo. De língua afiada esteve a Josefina, como sempre uma grande “usuneira” que se esquivou a levar os saborosos torresmos brancos tão ao gosto das minhas amigas. Naquele convívio, um autêntico fórum de reflexão sobre o nosso futuro coletivo, ninguém se coibiu de dar o seu palpite sobre a política local e regional, que julgaram densa de nuvens negras. A Eduardinha, pequenina e ladina, foi a que mais se divertiu com as suas sonoras gargalhadas, enquanto bebia o excelente vinho novo, vindimado recentemente, pelas mãos da minha amiga Geraldina. Não sei onde irão parar os propósitos insondáveis daqueles convívios, mas o certo é que novos episódios já estão agendados para acompanharem sorrateiramente a evolução política da nossa terra.
 

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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